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Afogados da Ingazeira: A Ascensão e Queda Após a Noite Histórica na Copa do Brasil

Por Redação FutGalo em 26/02/2025 15:20

O Início da Ascensão: Afogados e a Noite que Parou o Sertão

Em 26 de fevereiro de 2020, a pequena cidade de Afogados da Ingazeira, incrustada no coração do Sertão de Pernambuco, testemunhou um evento que mudaria para sempre sua identidade. Naquela noite, o modesto time local, com uma folha salarial de apenas R$ 100 mil, protagonizou um feito épico ao eliminar o poderoso Atlético-MG na segunda fase da Copa do Brasil. A façanha não apenas paralisou o município de pouco mais de 40 mil habitantes, mas também catapultou o Afogados ao centro das atenções no cenário futebolístico nacional, marcando-o como uma das maiores zebras da história da competição.

Entretanto, a trajetória meteórica do Afogados após aquela noite histórica é marcada por contrastes. O clube, que ascendeu ao estrelato da noite para o dia, enfrentou reveses, perdas e a dura realidade de um futebol brasileiro desigual. A seguir, exploraremos os altos e baixos dessa jornada, desde o ápice da vitória até os desafios enfrentados nos anos subsequentes.

O Legado da Copa do Brasil: O Que Mudou em Afogados da Ingazeira?

A façanha na Copa do Brasil injetou ânimo e recursos financeiros no clube, mas será que o Afogados conseguiu transformar esse impulso em um legado duradouro? O clube chegou à terceira fase da Copa do Brasil, passou por Atlético-AC, Atlético-MG e parou no duelo contra a Ponte Preta. Ao todo, arrecadou 2,69 milhões em premiação, um valor que fugia e ainda foge da realidade financeira do clube.

Apesar do montante, a Coruja não mudou de patamar. No mesmo ano, o Afogados ainda alugou um terreno para a implantação do centro de treinamento. O local conta com um campo de medidas oficiais e foi utilizado em parte da pré-temporada de 2025, mas a estrutura é semelhante há cinco anos.

Em 2020, a diretoria do Afogados informou que o clube teria ficado com apenas R$ 600 mil do valor da Copa do Brasil. O restante teria sido dividido entre premiação de jogadores e comissão técnica (R$ 612 mil), impostos (R$ 400 mil), pagamento de dívidas (R$ 300 mil) e a folha salarial naquele ano.

O presidente do clube, João Nogueira, que também exercia a função na época, justificou que a pandemia impediu os investimentos no CT.

"Se não tivesse a pandemia, a coisa era outra. No CT realmente não fizemos nada, apenas o projeto, foi R$ 40 mil, eu paguei o projeto, ficou um espetáculo. Mas como eu ia fazer? Ou eu fazia o CT, ou fechava o clube"

Do Céu ao Inferno: Rebaixamentos e Desafios Políticos

O período subsequente à campanha na Copa do Brasil foi marcado por instabilidade e declínio esportivo. O Afogados, que havia alcançado o ápice em 2020, viu sua trajetória descarrilar nos anos seguintes. Em 2023, o Tricolor do Sertão não fez um bom Campeonato Pernambucano e acabou rebaixado. Jogou a Série A2 no mesmo ano, alcançando o acesso como campeão. Esta foi a primeira taça conquistada pelos sertanejos.

Já nesta temporada, veio um novo rebaixamento. A equipe terminou o Estadual sem vencer nenhuma partida. Do elenco atual, três jogadores também estavam na partida contra o time mineiro, o goleiro Danilo e os atacantes Rodrigo e Filipe Eduardo.

Além dos reveses em campo, o clube também enfrentou mudanças políticas e administrativas, que contribuíram para a instabilidade e dificultaram a manutenção de um projeto a longo prazo. A combinação de fatores resultou em um cenário desanimador para os torcedores, que viram o time definhar após a breve glória.

O Goleiro de Boné e o Luto: Histórias Marcantes daquele Elenco

A campanha do Afogados na Copa do Brasil também revelou personagens que marcaram época e se tornaram ídolos da torcida. Um deles foi Wallef, o "Goleiro de Boné", que viralizou pelo estilo peculiar e pelas defesas decisivas, especialmente nas cobranças de pênaltis contra o Atlético-MG. O goleiro se destacou pela atuação segura durante o jogo e cresceu nas penalidades. Defendeu as cobranças de Allan e Nathan. Caiu nas graças até da torcida do Galo, que convidou o paredão para assistir a um jogo em Belo Horizonte.

O apelido Goleiro de Boné o acompanha até hoje, até mesmo em outra função. Nas eleições de 2024, Wallef foi eleito vereador de São José do Calçado-ES, com 194 votos, e anunciou aposentadoria do futebol profissional, aos 29 anos.

Outro momento marcante foi o falecimento do ex-volante Eduardo Erê, vítima de um acidente de carro. Titular contra o Atlético-MG, Erê já estava aposentado e se despediu dos gramados justamente no Afogados. Naquela partida histórica, converteu a cobrança na disputa de pênaltis. Após o jogo, desabafou ao dizer que a vitória tinha o peso de "um prato de comida" para os jogadores do time pernambucano.

Para Nunca Esquecer: A Camisa que Provoca o Atlético-MG

Apesar dos altos e baixos, a vitória sobre o Atlético-MG permanece viva na memória dos torcedores do Afogados. Para celebrar o feito histórico, o clube lançou uma camisa comemorativa em 2023 com provocações do Atlético-MG com um selo e a frase "O galo foi pra panela".

Predominantemente azul, a camisa é listrada e conta com detalhes em branco e vermelho. O placar do jogo, as penalidades e todos os jogadores do Tricolor que participaram da partida também estão estampados no uniforme. Ainda hoje o material está disponível na loja do clube.

O feito do Afogados ainda é tão grande para a torcida, que o clube lançou uma camisa comemorativa em 2023 com provocações do Atlético-MG com um selo e a frase "O galo foi pra panela".

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Sofia

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Comentado em 26/02/2025 19:40 A gente aprende com as quedas, né?
Gustavo

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Comentado em 26/02/2025 17:30 Aquele jogo foi tosco, mas nada muda nossa história! Vamos pra cima no próximo confronto, mlk!
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